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Ameaça de estereótipo: um desafio para as mulheres no ambiente de trabalho

A ameaça de estereótipo e as microagressões afetam o bem-estar e a produtividade das mulheres dentro das organizações. Vamos repensar as culturas das empresas com a ajuda da Neurociência?


Reunião de executivos composta por três homens e duas mulheres
Ao assumirem cargos dentro das empresas, é inevitável que as mulheres tenham a preocupação de se provarem capazes e mostrarem que o senso comum não é coerente com quem são como profissionais.

E o que torna esse cenário tão difícil? Infelizmente, em alguns ambientes, basta sermos mulheres para que uma resposta de estresse seja ativada. A "ameaça de estereótipo" acontece quando as pessoas sentem que devem se esforçar mais do que a maioria para provar nosso lugar ou quando têm medo de tentar novas atividades porque nos disseram ao longo da vida que "pessoas como nós" não são boas em determinadas tarefas.

“A maior dificuldade foi o fato de eu ser mulher e jovem. As pessoas não davam tanta credibilidade para mim. Mas, mais do que ser mulher, eu sou zero vítima. Acho que a gente tem que trabalhar e fazer o nosso melhor. Eu entrego o meu melhor."(Flávia Brunelli Sclauser).


Li esse depoimento em uma reportagem sobre uma empreendedora em destaque pela inovação de seu negócio na Forbes. Apesar de reconhecer que sua identidade e idade foram desafios em seu caminho, essa empreendedora enfatizou que não se via como vítima e se empenhou ao máximo. Provavelmente, você também já ouviu histórias e discursos semelhantes. Mesmo quando mulheres alcançam posições de sucesso inegável, como uma matéria dedicada exclusivamente a si em uma das revistas mais importantes para o mundo dos negócios, há uma necessidade de salientar que esses fatores não nos abalaram ou que não estamos recebendo uma “colher de chá”, mas um reconhecimento merecido.


Confesso que esse trecho me deixou inquieta. Precisarmos constantemente nos reafirmar em determinados espaços, seja nos empoderando de um título ou provando que não fomos derrotadas pela adversidade, é extremamente cansativo. Não é à toa que as mulheres são um grupo vulnerável quando se trata de saúde mental. Em pesquisa de 2023 da Deloitte, 51% das mulheres relataram que seus níveis de estresse estavam mais altos comparados ao ano anterior. Uma pesquisa da Vittude, também divulgada em 2023 e realizada apenas com  organizações brasileiras, destacou que as mulheres são mais afetadas pelo estresse, depressão ou ansiedade do que os homens, com 10% e 6% respectivamente. Considerando especificamente os casos de burnout, distúrbio relacionado ao trabalho, pesquisa realizada pela FEEx - FIA Employee Experience apontou que as mulheres sofrem mais com essa síndrome, apresentando 73% mais casos de burnout quando comparados aos homens.


E o que torna esse cenário tão difícil para as mulheres? Infelizmente, em alguns ambientes, basta sermos mulheres para que uma resposta de estresse seja ativada. Esse fenômeno já foi descrito na psicologia como "Stereotype threat". Pessoas de grupos diversos muitas vezes são estereotipadas de forma negativa, e a "ameaça de estereótipo" ocorre quando o indivíduo teme confirmar esse estereótipo negativo. Isso acontece quando sentimos que devemos nos esforçar mais do que a maioria para provar nosso lugar ou quando temos medo de tentar novas atividades porque nos disseram ao longo da vida que "pessoas como nós" não são boas em determinadas tarefas.


Quando as mulheres entram no ambiente de trabalho, muitas vezes ouvem que não são tão boas quanto os homens em várias atividades. Ouvimos que as mulheres não são boas tomadoras de decisão de negócios, que não são assertivas o suficiente ou são assertivas demais. Ouvimos que nossa forma de liderar é muito permissiva. Ouvimos que as mulheres são muito dominadas por suas emoções e não têm autocontrole suficiente para estar em posições de liderança. Ao assumirem seus cargos dentro das empresas, é inevitável que as mulheres tenham a preocupação de se provarem capazes e mostrarem que esse senso comum não é coerente com quem são como profissionais. Essa pressão ocorre mesmo que de forma inconsciente, e algumas mulheres inclusive têm dificuldades de verbalizar como esse ambiente e o julgamento impactam na sua saúde mental. A verdade é que estamos sempre sendo lembradas desse estereótipo de diferentes formas no ambiente de trabalho. 


Mulher é apontada por várias pessoas ao mesmo tempo
Viver as microagressões no ambiente de trabalho acaba gerando um estresse crônico nas mulheres.

Em dezembro de 2023, a consultoria McKinsey divulgou sua tradicional pesquisa Women in the Workplace. Nesse relatório, um dos destaques foi a compreensão de que as microagressões têm grandes impactos nas mulheres dentro das organizações. As microagressões são comentários e ações que menosprezam ou desrespeitam outras pessoas com base em características de sua identidade. Segundo os dados da pesquisa, mulheres são duas vezes mais propensas a serem confundidas por alguém que ocupa uma posição mais júnior, colocando dúvida em sua experiência. As mulheres também ouvem duas vezes mais comentários sobre seu estado emocional, e comentários sobre sua aparência chegam a ser 2,5 vezes mais comuns. Esse cenário ainda pode ser mais agravante quando os dados são analisados considerando as mulheres dentro do recorte de raça/etnia, orientação sexual e deficiência.


Viver as microagressões no ambiente de trabalho acaba gerando um estresse crônico nas mulheres. Esses comportamentos apontam o quanto elas não fazem parte deste ambiente e reforçam a ameaça de estereótipo por essa constante lembrança. Além disso, essas atitudes e comentários ocorrem muitas vezes de forma sutil, fazendo com que as mulheres tenham receio de relatar ou até mesmo nem consigam percebê-los por estarem normalizados na cultura das empresas. Como resultado, as mulheres vivem numa sensação constante de alerta. Ou seja, o sistema defensivo está sempre ativado, preparando essa mulher para se defender das ameaças deste ambiente e gerando uma necessidade de estar sempre repensando suas atitudes com medo de reforçar o estereótipo negativo de gênero associado a elas. Dessa forma, as mulheres têm sua autoconfiança abalada, sua performance impactada de forma negativa e quadros relacionados à saúde mental agravados como consequência da resposta de estresse experienciada.


Este cenário é um grande desafio para as organizações


Depois de tantos anos discutindo os próximos passos das mulheres no ambiente de trabalho, nós da Nemesis observamos empresas empenhadas nesse assunto e apresentando programas específicos para esse público, trabalhando metas para que se tenha equidade nos cargos de liderança e preparando as mulheres para ocuparem esses cargos. Porém, isso não é suficiente. Para que as mulheres possam, de fato, prosperarem dentro das empresas, é imprescindível preparar um ambiente no qual a identidade dessas mulheres não seja questionada o tempo todo ou vista como algo prejudicial para sua carreira. O que os dados provam a cada dia é que o ambiente de trabalho tem um grande impacto e dificultam o desenvolvimento das mulheres. O relatório da McKinsey também indica que mulheres expostas a microagressões tendem a assumir menos riscos, encontram dificuldades para propor novas ideias e experimentam falta de segurança psicológica no ambiente corporativo. Essas mulheres também apresentam maiores chances de deixarem seus empregos e sofrerem com a síndrome de burnout.


É possível criar espaços de maior acolhimento para as mulheres, sem hábitos e comportamentos que reforcem a ameaça de estereótipo. Isso será essencial para que as mulheres possam viver todo o seu potencial dentro das organizações e, ao mesmo tempo, para que as empresas se beneficiem das contribuições que essas colaboradoras têm a capacidade de entregar. 

Para além dos programas já disseminados dentro das organizações, agora é preciso agir de forma mais assertiva para que os vieses inconscientes e as microagressões que cercam as mulheres no ambiente organizacional sejam dissipados. E isso foi parte do que me incomodou no relato da empreendedora que citei no início deste texto. Não podemos deixar de falar o quanto os ambientes nos quais estamos inseridas prejudicam o nosso trabalho. Mesmo entregando o nosso melhor, nosso desenvolvimento é ameaçado por nossa identidade, e nossa saúde também. Não podemos esquecer desse impacto e do quanto a resiliência fez parte da história de cada mulher que alcançou os lugares almejados, como habilidade fundamental para superar os desafios impostos a nós.


Neste março de 2024, mês da mulher, quero convidar as organizações a olharem mais a fundo em suas culturas. É possível criar espaços de maior acolhimento para as mulheres, sem hábitos e comportamentos que reforcem a ameaça de estereótipo. Isso será essencial para que as mulheres possam viver todo o seu potencial dentro das organizações e, ao mesmo tempo, para que as empresas se beneficiem das contribuições que essas colaboradoras têm a capacidade de entregar. 


Se você quer saber mais da importância de criar ambientes favoráveis para o bem-estar e produtividade de colaboradores dentro das empresas, a partir do olhar da Neurociência, assista aqui nossa videoaula sobre homeostase organizacional.


Um abraço e até a próxima 😉




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