• Thaís Gameiro

Como identificar e evitar os desertos empáticos nas equipes?

Você sabe o que são desertos empáticos? Talvez você nunca tenha ouvido falar nesse termo, mas certamente você já esteve em ambientes com essa característica.

Além da proximidade e familiaridade de repertórios, outro fator que pode influenciar de maneira significativa nossa habilidade de empatia é o ambiente.



Como identificar que estamos diante de um deserto empático no ambiente de trabalho?

Você sabe o que são desertos empáticos? Talvez você nunca tenha ouvido falar nesse termo, mas certamente você já esteve em ambientes com essa característica. Na verdade, muitos ambientes de trabalho acabam se tornando desertos empáticos, como você entenderá a seguir. Os desertos empáticos são ambientes onde não existe espaço para demonstrar verdadeiramente quem somos, compartilhar nossas ideias e emoções. Normalmente, esses ambientes carecem de confiança e segurança psicológica, fazendo com que as pessoas tenham que vestir uma espécie de máscara ou armadura, mostrando-se sempre fortes e competentes, com pouco ou nenhum espaço para dividir vulnerabilidades e praticar a empatia.


Para entendermos o quanto os desertos empáticos são nocivos para os negócios, precisamos entender um pouco mais sobre a Empatia em si (leia mais sobre isso aqui). Podemos defini-la como sendo nossa capacidade de nos colocar no lugar do outro, compartilhando suas emoções e ponto de vista. Nosso cérebro possui um sofisticado sistema de neurônios espelho, capazes de decifrar, a partir da observação do outro, suas ações, emoções e intenções. Por esta razão a empatia é essencial para a construção de vínculos e relações sociais. Trazendo para o ambiente de trabalho, é correto afirmar que a empatia é considerada uma habilidade sistêmica fundamental, pois ela irá impactar a comunicação, colaboração e relacionamento das equipes, a eficiência das lideranças, estratégias de negociação, relacionamento com o cliente, vendas, processos de feedback, seleção e desligamento de colaboradores, dentre tantas outras atividades que envolvem as relações humanas.


Apesar da importância da empatia para o mundo dos negócios, na prática o que observamos é um grande desconhecimento a respeito de como desenvolvê-la e como criar um ambiente de trabalho que favoreça a sua prática. Isso porque, apesar de termos os circuitos que permitem a Empatia pré-programados em nosso cérebro, esta é uma habilidade que pode e precisa ser exercitada. Mais do que isso, esta é uma habilidade sensível a questões ambientais e contextuais. Para ficar mais claro, vale o exemplo: é mais provável que você se sinta fortemente conectado emocionalmente com uma situação ou história que reflita uma experiência parecida com algo que você já viveu, do que com situações muito distantes de sua realidade. Nossos circuitos neurais são acionados mais rapidamente quando observamos o outro e identificamos semelhanças em situações que já vivenciamos, por isso, é mais fácil ter empatia com aquelas pessoas que convivem conosco e compartilham experiências de vida semelhantes. Ainda assim, é possível ter empatia com situações distantes da nossa realidade, porém exigirá maior esforço, flexibilidade e capacidade de imaginação.


Além da proximidade e familiaridade de repertórios, outro fator que pode influenciar de maneira significativa nossa habilidade de empatia é o ambiente. Aqui, resgatamos o conceito dos desertos empáticos, no qual ambientes com forte cobrança, pressão, julgamentos e críticas constantes, pouco espaço para o diálogo e para a expressão verdadeira das emoções e da vulnerabilidade acabam por reduzir a ativação dos circuitos neurais necessários para o exercício da empatia. E como identificar que estamos diante de um deserto empático no ambiente de trabalho? Abaixo alguns sintomas comuns:


Falhas de Comunicação frequentes

Para uma comunicação eficiente é necessário uma boa habilidade de empatia entre os personagens dessa interação. A escuta atenta, uma observação cautelosa dos aspectos verbais e não verbais da comunicação, a disponibilidade emocional para ouvir, para deixar clara a mensagem para o outro e checar o entendimento, são todos processos chave para que a comunicação aconteça de forma fluida e sem ruídos. No entanto, em ambientes com baixa empatia o mais comum é que as pessoas estejam com pressa, desatentas à sua comunicação e com baixa disponibilidade emocional para ouvir atentamente o outro, fazendo com que a comunicação seja prejudicada, levando a falhas e muito retrabalho.

Individualismo e Baixa colaboração Os desertos empáticos acabam por ativar em nosso cérebro circuitos relacionados ao nosso sistema de defesa e autopreservação. Em um ambiente com baixa confiança, no qual eu preciso me proteger do julgamento dos outros, a resposta adaptativa mais adequada é o individualismo, no qual as pessoas ficam mais autocentradas, com foco no que é mais importante para elas e não necessariamente para o grupo. Por esse motivo, é comum que estejam todos trabalhando para entregar o seu e com pouca ou nenhuma colaboração.

Pouca criatividade

Com uma comunicação ineficiente, individualismo e baixa colaboração, podemos afirmar que os desertos empáticos também são desertos criativos, pois dificilmente as equipes nesse contexto conseguirão criar, inovar ou mesmo compartilhar ideias criativas. O mais comum é um comportamento complacente e acomodado em processos e atividades conhecidas, visto que não há espaço seguro para errar ou trazer ideias sem ser julgado, criticado ou até sofrer represálias.


Conflitos frequentes e altos níveis de estresse

As falhas de comunicação e o individualismo criam um ambiente propício para conflitos e perda de harmonia na equipe. O clima pode se tornar pesado e tóxico rapidamente e os níveis de estresse das pessoas podem ficar bastante elevados,


Esses desfechos emocionais, além de reduzirem a produtividade das equipes, também reúnem elementos prejudiciais para a saúde e bem-estar emocional dos colaboradores. Fica claro que os desertos empáticos devem ser combatidos dentro das organizações. Então, o que posso fazer enquanto líder ou profissional de recursos humanos caso eu identifique sintomas de desertos empáticos na empresa?


- Identifique a raiz do problema

Para definir uma solução realmente eficiente que melhore o ambiente da equipe, área ou empresa é necessário entender quais elementos contribuíram para a formação deste deserto empático. Algumas perguntas podem ajudar a delinear as hipóteses: Existe um incentivo à competitividade excessiva? Como são os valores e comportamentos da cultura organizacional? Quais as estratégias e modelos de liderança predominantes? Os colaboradores têm espaço para troca e para se conhecerem melhor, além das atividades exclusivas do trabalho? Entender as lacunas emocionais que geram um ambiente de trabalho favorável para a consolidação do deserto empático é o primeiro passo para revertê-lo.


- Desenvolva a empatia da equipe

Como qualquer outra habilidade a empatia pode ser aprimorada quando exercitada de forma correta e constante. Por isso, para dissolver os desertos empáticos, ações que ajudem os colaboradores a desenvolverem a sua empatia, através de exercícios e atividades que trabalhem a escuta empática, a inibição de julgamentos, a tomada de perspectiva, a compreensão das emoções dos outros e a vulnerabilidade, serão eficientes ferramentas.


- Invista na Segurança Psicológica

Promova espaço de diálogo e trocas entre os colaboradores, incentive que todos possam expressar suas ideias, reconheça e acolha as ideias ou opiniões sem julgamentos, permita que pouco a pouco todos se sintam confortáveis em participar das discussões, não incentive conflitos ou competições, estimule a colaboração. Somente com o aumento da segurança psicológica será realmente possível desfazer o deserto empático.


E então, esse texto te ajudou a identificar desertos empáticos por aí? Precisa de ajuda para um diagnóstico mais preciso ou para dissolver esses desertos? Fale conosco!


Até o próximo post ;)