Flow: O segredo do cérebro produtivo


Na semana passada li uma matéria muito interessante sobre uma empresa na Nova Zelândia que resolveu mudar sua carga horária de trabalho semanal. Ao invés dos colaboradores trabalharem 5 dias por semana, a empresa Perpetual Guardian resolveu fazer um experimento de 2 semanas, no qual cada membro da equipe trabalharia apenas 4 dias por semana, sem qualquer alteração no salário. Incrível né? Mas os resultados foram ainda mais surpreendentes.

A experiência mostrou um aumento de 20% na produtividade da empresa. E não estamos falando de uma pequena empresa com 10 funcionários. O grupo conta com mais de 200 colaboradores. Fato é que ter mais um dia livre na semana se mostrou bastante eficiente em motivar o time e fazer com que trabalhassem ainda melhor, mesmo com uma carga horária reduzida.

Você deve estar se perguntando como isso é possível não é mesmo? Quando falamos de produtividade e a relação entre tempo de trabalho e rendimento cerebral, um dos fenômenos que precisamos tomar conhecimento é o chamado Flow. Trata-se daquele momento em que estamos tão focados e envolvidos em uma determinada atividade, que nos desconectamos do resto e perdemos a noção do tempo. O envolvimento com a tarefa é por si só tão prazeroso e engajante, que seria possível permanecer desempenhando tal atividade por tempo indeterminado. O mais interessante, é que nesse momento de Flow, somos capazes de aumentar a nossa produtividade em até 5 vezes , segundo estudo da Mckinsey.

O psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi desde a década de 60 vem estudando o fenômeno e suas pesquisas indicam que qualquer atividade, mental ou física, pode produzir o estado de Flow. Para isso, basta que seja uma tarefa desafiadora, que exija intensa concentração, compromisso, contenha metas claras, forneça feedback imediato e seja compatível com o nível de habilidade da pessoa. A verdade é que quase qualquer atividade pode induzir um estado de Flow: praticar um esporte, ler um livro, estudar, preparar aquele relatório no trabalho, lavar a louça, costurar.

Csikszentmihalyi e sua equipe de pesquisadores desenvolveram a teoria do Flow através de entrevistas com pessoas (com diferentes estilos de vida, em todo o mundo) a partir do relato daqueles momentos em que elas se sentiam mais plenas, contentes, satisfeitas e mais no controle de suas vidas. Situações em que elas relatavam ser capazes de aproveitar o momento presente. O que eles descobriram foi que a atividade que era desempenhada importava menos do que podemos imaginar. É claro que trabalhos naturalmente criativos e excitantes induziam mais facilmente o estado de Flow. Mas eles também encontraram trabalhadores de fábricas, fazendeiros e pessoas vivendo em intensa pobreza relatando tal experiência. A principal conclusão é que a atividade em si importa menos do que a maneira como lidamos com ela.

Explicado o Flow, vamos voltar à empresa que resolveu dar mais um dia de folga para seus funcionários. Como disse anteriormente, o principal efeito colateral do estado de Flow é um aumento bastante significativo de nossa produtividade. Isso ocorre porque tal fenômeno nos leva a um estado “quase automático” e altamente focado de consciência, que nos permite atingir nossa melhor capacidade de processamento, com baixíssimo esforço e com menor gasto de tempo.

Nesse caso, digo que o aumento da produtividade é um efeito colateral, porque o Flow é entendido como algo mais profundo. Um estado no qual nos sentimos verdadeiramente envolvidos, felizes e engajados com uma atividade. O aumento da performance é apenas uma consequência natural deste processo.

Bom, e como podemos ajudar nosso cérebro a atingir o Flow? Certamente algumas dicas básicas que você já ouviu em outros contextos: Dormir adequadamente, alimentação saudável, ambiente livre de distrações e intervalos regulares são práticas fundamentais para que possamos atingir o estado de Flow. E é aqui que conectamos a atitude da empresa da Nova Zelândia com o conceito do Flow. Ao oferecer maior flexibilidade aos seus colaboradores, trazendo maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional e naturalmente maior qualidade de vida, a empresa criou um cenário mais favorável para que seus colaboradores pudessem trabalhar com maior dedicação, motivação e foco. Ou seja, aumentou as chances dos colaboradores vivenciarem o Flow. Embora não possamos afirmar que este é o principal motivo para o aumento da produtividade da empresa, sabemos que tal fenômeno pode ter contribuição importante para o resultado final observado.

Já sabemos que trabalhar mais horas não representa necessariamente um aumento de produtividade e o que fica claro a cada dia é que para atingirmos melhores resultados precisamos criar uma cultura organizacional que favoreça a saúde e bem-estar do time, pois ao investir nesses aspectos, o aumento da performance será o resultado natural, assim como ocorre para o Flow.

Quer saber mais sobre este e outros aprendizados da Neurociência que impactam na produtividade da sua equipe? Entre em contato conosco =)

Um abraço e até o próximo post!

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